Sábado, Fevereiro 26, 2005

A (mal)dita campanha..

February 5, 2005
O Ministro do Ambiente apelou à perturbação da ordem pública, exortando o povo a manifestar-se de forma indigna de qualquer democracia, assim, impedindo José Sócrates de entrar em Coimbra. O apelo, incompatível com o cargo de que é titular e, de novo, desonroso para a Democracia, cheira a desespero, tem clara inspiração em recentes vergonhas populares e fede como Idade Média.
Mas o que foi dito com toda a clareza é desmentido pelo próprio, numa atitude irresponsável, de quem não assume os seus actos, que não nos choca, visto o incidente descrito acima.

Digno de maior nota é a resposta que o Primeiro-Ministro demissionário deu aos jornalistas, quando interrogado sobre as palavras do dr. Nobre Guedes: O dr. Santana Lopes pensa terem sido ditas como força de expressão, mas de qualquer modo, irá informar-se junto do seu Ministro sobre o seu verdadeiro sentido.

Todo este episódio reflecte aquilo que já aqui se tinha escrito um dia: o Governo prefere ser, ele próprio, a notícia e os seus membros não conseguem resistir a um microfone, correndo para onde com um se lhes acene, com frases absurdas e, certamente, como as qualificaria o líder da bancada parlamentar social-democrata criminosas, fosse ele da oposição. Não há coordenação, os ministros falam e o primeiro-ministro não sabe ao certo o que se disse nem com que intenção. É a estabilidade da maioria e do governo.
Ninguém censura os membros do governo por terem as suas funções de Estado e serem também candidatos a deputados, será o mal inevitável da democracia. Coisa bem diferente e bem mais perniciosa é não se saber com que vestes intervêm na vida política/pública: é que não são só as cartas...
Hoje ningém vai a coimbra...